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Teresa Alves | 25.06.09

Saramago



D' O Caderno já tantos mais instruídos terão dito de sua justiça, para além do próprio José Saramago o ter, de facto, apresentado.


 


Do blog e das motivações e das diferenças e do caminho mais lúcido, saíram as palavras que foram ditas e ouvidas por todos.


 


Do homem ficaram uma quantas lições. "Cada pessoa, em primeiro lugar, tem de acreditar em si próprio" A naturalidade com que mostrou, logo após dizer que a palavra bloguista lhe parecia algo insultuosa, e que blogueiro não melhorava nada, ser mais confiante do seu papel enquanto autor de um blog, do que muitos autores de blogs de há vários anos. "Devemos procurar pensar historicamente, pensar a história de hoje para ontem, do presente para o passado, para compreender primeiro as consequências e depois as causas"


 


Saramago tem um orgulho imenso no prémio Nobel, claro, quem ficaria indiferente, mas ao invés de o exibir, como tantos fazem por muito menos, veste-o como uma responsabilidade, uma missão.


 


Quando viramos costas e abalamos, vem connosco a melodia emotiva de algumas ideias, palavras a deslindar emoções da correspondência em que as pessoas falam delas mesmas, memórias dispersas de pessoas conhecidas, e uma brisa fresca de incómodo de um começo de Verão despropositado, e ainda ecos do início da apresentação, a sua pergunta Mas afinal o que significa a palavra blog, e todos mudos, nós também, e Saramago a confessar não gostar de utilizar uma palavra da qual não conhece a génese nem o significado, e nós ali parados a olhar feitos parvos. Se assim era pouco lhe importava se teriam de ser posts em vez de blogs, que atentos todos poderiam dizer quando uns e quando o outro, afinal a mensagem estava tão acima disso.

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3 comentários

De entremares a 26.06.2009 às 22:24

Não resistir a deixar aqui um modesto comentário.
Confesso que não aprecio a escrita de Saramago, e não sendo um linguista ou critico literário, vou limitar-me a descrever este sentimento da única forma que me ocorre.

A prosa do mestre é como a ilha em que vive; não lhe consigo sentir a musicalidade, a cor, talvez o aconchego.
Coloco-o no extremo oposto de Eugénio de Andrade, nessa matéria.

Mas isto sou eu, exercendo só o direito à liberdade de expressão, artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 10-12-1948

Bom fim de semana.

De Teresa Alves a 27.06.2009 às 02:12

O que é apreciável numa pessoa, não é se a sua opinião é positiva ou negativa face a algo que tecemos, mas se o que ela própria tece é genuíno..

Não tem mal ver algo a milhas. Talvez eu mesma o tenho visto a milhas. Talvez até o não tenha conseguido ler e o tivesse odiado. Mas isso não tinha nada a ver com ele. Tinha a ver comigo.

O que me escreve, tem a ver consigo. E respeito-o, já, só por isso, até porque descobrimos ao longo da vida, haver tantas formas diferentes de inventar a alegria, multiplicar os beijos, as searas, e de descobrir rosas e rios e manhãs claras..

Não vemos as coisas como elas são, vemo-las como nós somos. E isto é lição de durar uma vida inteira. E ainda temos tanto que palmilhar...

Obrigada pelo comentário . Pela leitura. Pela passagem por aqui. Obrigada por ser diferente e ter coragem de o afirmar.

:-)

De Dylan a 22.06.2010 às 11:38

José Saramago (http://www.ionline.pt/conteudo/65180-morreu-jose-saramago-aos-87-anos) não era menos português por não pôr a bandeira à janela na véspera de um evento desportivo. Acima de tudo, a sua essência era ibérica (http://www.ionline.pt/conteudo/65237-zapatero-destaca-imaginacao-e-consciencia-critica-saramago). Convém dizer que só saiu de Portugal devido à ostracização de Sousa Lara (http://www.ionline.pt/conteudo/65391-presidente-da-republica-falha-funeral-saramago), comprovada agora com o episódio político revisionista (http://www.publico.pt/Cultura/louca-apela-a-cavaco-para-esquecer-mesquinhez-do-passado-e-estar-no-funeral-de-saramago_1442779) da não presença (http://www.publico.pt/Cultura/saramago-cavaco-silva-diz-ter-cumprido-obrigacoes-como-presidente_1442805) de Cavaco Silva (http://www.publico.pt/Cultura/presidente-da-republica-diz-que-saramago-sera-sempre-uma-referencia-da-cultura-nacional_1442491) no seu funeral. "Viagem a Portugal" é reflexo de amor e do encantamento que sentia pelo país, pela sua beleza e cultura, pela classe trabalhadora, espelhada na sua identidade, mesmo que isso significasse ir contra a ideologia do seu partido (http://www.ionline.pt/conteudo/65319-era-um-comunista-agnostico-era-o-seu-proprio-partido), contra a maioria religiosa, contra o politicamente correcto. Para o seu espírito inconformado, a morte é pouco relevante. Como diria Saramago, "o fim duma viagem é apenas o começo de outra".

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