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Teresa Alves | 09.08.09

emoções e palavras

As descrições assertivas de vocabulário rico mas sem emoção, são o simples aproveitamento de uma acção ou de um momento, como muleta para uma definição aparentemente diferente, mas que abraça o mesmo conceito generalista. Não basta dizer o choque, a surpresa, a alegria ou a tristeza, a raiva, o delírio, o amor, o abandono ou a salvação, pois já são sabidos. É preciso o momento. E em cada momento, o que torna o conceito único é a emoção.


 


Estranha é a mente que pensa em imagens cuja sequência é como uma montagem de vídeo, mas que também pensa em sons, e talvez por isso teime em expressar-se apenas em palavras e a fraca capacidade de as reter resulta num vocabulário limitado, sendo apenas possível dizer as sensações pela conjugação que permite significados terceiros, tantas vezes incompreensíveis aos outros.


 


Curiosamente, na necessidade de registar um momento, a descrição das formas cores e movimentos, só serve se para dizer as emoções, pois estas são o todo, o sumo, o âmago de ser e de estar, o sentido de cada instante. Mas são sempre precisas palavras, para traduzir os diálogos sonoros do entendimento.

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um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro