Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Teresa Alves | 20.01.10

Haiti

Ficar doente tem destas merdas. Um gajo a dada altura atira-se para o sofá de telejornal em curso sem qualquer noção de há quanto tempo isto não acontecia e leva pelas trombas com os cenários humanos mais incríveis de sofrimento e abandono.

 

Pelas redundâncias e repetições, percebem-se as linhas a partir das quais a informação é tratada como numa série de investigação criminal que cada canal dirige de acordo com a sua sensibilidade.

 

É precisamente na linha em que deixa de ser informação e passa a ser circo que os meios de comunicação deviam ter a consciência social de resguardar um pouco a dignidade das comunidades retratadas em condições extremas de fragilidade.

 

Como é que se sentiriam se tivessem câmaras constantemente a filmar a vossa miséria. Como poderá haver auto-estima sem os cuidados básicos e como é que se aguenta tanta dor e por que raio está toda a gente a olhar..

 

Sou daquelas pessoas que passa semanas sem lhe ocorrer, sequer, que existe televisão. De cada vez que a ligo vejo-a tão mal aproveitada enquanto meio de comunicação de massas por excelência, que a desligo desanimada.

 

Será que não há ninguém com miolos realistas e sem mais olhos do que barriga, que agarre num jornal televisivo e o profissionalize?

Autoria e outros dados (tags, etc)

cenas ao molho:




moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro