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Gato Vadio | 25.06.09

Poesia vadia

Saí antes do final era ainda quarta-feira, como quem anda à boleia dos transportes públicos e não se importa.


 


Às vezes vamos às cegas, levando apenas a memória de outras sessões de poesia igualmente vadia, que nunca começavam nem acabavam, como se fossem a continuação de um ritual tanto mais fugaz quanto maiores os significados que lhes tentavam entornar, por ser como uma lotaria de palavras nem sempre consecutivas de sentido inteligível, Mas havia Ary dos Santos e José Régio para acordar os incautos, tão frágeis quando fora da casca da ladainha habitual, consensual, morna de carácter fora da carneirada até quando cheia de revolta, mas que interessa isso agora, se em verdade nada há a fazer pela poesia, se esta é apenas a emoção de um momento, uma memória, uma revolta antiga, um instante de paixão, ainda que assolapada, um murmúrio, um recado verdadeiro, Não esperes por mim.


 


Às vezes deixamos a sala devagar, começando a sair com o olhar, por entre gestos discretos de boa noite e até à próxima, o momento aplaudido de uma voz aguda e desafinada, o pensamento desfocado de um Mas que merda que as pessoas se escondam umas nas outras e na timidez que transforma uma tertúlia num workshop de ocupação dos tempos livres.


 


Será que a minha sensibilidade ficou comprometida com as cicatrizes, serei uma besta insensível que não merece participar em certos eventos, serão mesmo precisas respostas a tantas perguntas..

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moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro