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Gato Vadio | 22.11.09

Arte Lisboa 2009 na FIL


 


As visitas de estudo têm a particularidade de proporcionar a troca de opiniões sobre as obras com colegas e professores, o que nos dá uns quantos elementos comparativos de análise à nossa própria experiência.


 


A minha estava a ser angustiante e antes do fim do primeiro corredor de galerias já me sentia uma besta insensível às nobres mensagens subjectivas das artes plásticas. A angústia não vinha apenas da total descontextualização das obras, nem do facto de estarem, quase todas, umas em cima das outras, tudo envolto num contexto estritamente comercial. A angustia crescente vinha do ar extasiado de todos, com tudo, enquanto diziam sem emoção "tão giro" ou "ah, é do fulano de tal, o grande, que giro".


 


Sem conseguir oxigénio sequer de Almada Negreiros, atirado para um canto e asfixiado de molduras próprias e alheias, cheguei a pensar que estava tudo visto e que era hora de ir embora. Foi então que cheguei ao espaço dos Project Rooms e descobri Guillermo Perez Villalta.


 



ARTISTAS ALIMENTANDOSE DE LAS ISTITUCIONES | GPV 2009


(clique na imagem para ver maior)


 


[A curiosidade enceta pesquisas e descobertas, como o Combate y Destino e Batalha]


 


Numa série de cerca de vinte obras com legendas salvadoras de angústia por assistir a tanta tontaria, reencontra-se a sensibilidade própria. Porque apreciar arte não é ter um orgasmo histérico de gritinhos a cada peça, nem precisar ler a legenda que informa do autor para tecer considerações positivas da observação. É preciso sentir. E descobrir este espaço foi o oxigénio que salvou a asfixia e permitiu descobrir outras lufadas de ar fresco:


 



Curro  Ulzurrun - LAS MENTIRAS SE CONSTRUYEN (clique na imagem para ver maior)


 



Pedro Figueiredo - CONTEMPLAÇÃO (clique na imagem para ver maior)


 


 


Mas nada chegou ao minimalismo emotivo de um autor que não consigo encontrar em lado nenhum... Já os pés gritavam e pediam a fuga dali quando me deparei com estes desenhos, que, por não haver por perto quem explicasse qual a galeria ou desse mais informação sobre o autor, registei no telemóvel (mas a má qualidade do registo não diminui o génio das representações)


 








Se alguém souber mais informação, por favor, partilhe o link.


Ver comentários :-)


 


Certos estão os sábios que afirmam que as grandes descobertas incluem o próprio porque, de facto, não de descobre sem se descobrir. E foi o que aconteceu.


 


A observação pura depende da sensibilidade do observador, e não apenas da fama dos autores. Cruzeiro Seixas, não obstante ser notável que continue a pintar, tem para oferecer apenas "mais do mesmo"; Paula Rego, notável na força e na coragem, não me emociona; Pedro Cabrita Reis passou à frente da minha indiferença; E tive pena que Almada Negreiros tivesse sido encafuado num canto repleto e sem espaço de respiração possível, nem para as obras nem para as pessoas que as queriam ver.


 


Faltou o contexto plástico, um deslindar que fosse da filosofia experimental que os autores pretendem assumir nas mensagens que se escondem na abstracção, numa atitude mais didáctica e menos comercial. Mas não se pode ter tudo..

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2 comentários

De Rui Monteiro a 30.01.2010 às 23:55

Acho que a artista sobre quem não conseguias ver mais informação, é a Cecília Costa, representada pela galeria Baginsky.

http://www.baginski.com.pt/pages/cecilia_costa_obras.asp?PhotoNumber=0 (http://www.baginski.com.pt/pages/cecilia_costa_obras.asp?PhotoNumber=0)

De Teresa Alves a 31.01.2010 às 06:19

é mesmo!

uau!

Obrigada!

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um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro