Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Teresa Alves | 06.03.11

Os Homens da Luta

 

Têm rebentado por aí opiniões muito diversificadas sobre o fenómeno, chamemos-lhe assim, afinal, dá sempre jeito atribuir um nome monumental a tudo o que não sabemos classificar, mas dizia eu que os há indiferentes e revoltados, contentes e enganados com esta representação lusa no euro-festival, que agora já sou eu a não querer saber se ainda se escreve com hífen ou se nunca assim foi.

 

Fico sempre um bocadinho arrepiada quando a razão me estende o tapete vermelho da vergonha. E enquanto portuguesa, sou parte de uma entidade colectiva cujo semblante global não depende de mim exclusivamente, pelo contrário. E daqui espreita a tal vergonha, à falta de melhor expressão. A economia portuguesa é uma provocação da classe política, de uma ponta à outra, que o povo tolera porque tem mais o que fazer. E sinto-me envergonhada de ser assim, povo que não avança.

 

Depois fica-se parvo que as pessoas não se revejam. Mais ainda por não conseguirem ver o todo e assumir cumplicidade. Por passividade ou contrariedade. O facto é que se um bando de malucos que se chega à frente cheio de confiança a dizer barbaridades, então talvez não o sejam assim tanto. Porque o seu trabalho é fazer de espelho, não obstante a distorção criativa vestida de humor.

 

Uma coisa é não gostar de pertencer a um país atolado de arrogância, chico-espertice e absentismo. Outra é não gostar de o ver representado como uma caricatura certeira. Porque é como se nos estivessem a parodiar a nós todos. E é mesmo isso. Totós.

Autoria e outros dados (tags, etc)




moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro