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Gato Vadio | 25.12.11

Adeus Pastéis de Belém

Guardava na memória das vadiagens juvenis o paladar dos Pastéis de Belém que de quando em vez reavivava no deleite da degustação às meias dúzias.

Hoje, a doce memória que perpetuava o ritual foi abalada quando um passeio mais longo me levou, precisamente, à Antiga Confeitaria de Belém. O ritual obrigava a comer no mínimo dois pasteis, um só com canela e outro só com açúcar, ambos começando simples e terminando com tudo. E foi o que fiz.

 

E foi logo na primeira trinca que senti o sentido da vida afundar-se na tragédia: sabor a pudim. Sim, pudim. Ou é ingrediente novo ou descobri o segredo que afinal não passa pela fécula de batata. Mas o ritual seguiu-se, teimoso, primeiro apenas canela, depois com açúcar, e venha o segundo que começa só com o açúcar e depois a canela. Não consegui terminar nenhum de tanta canela e açúcar entornados, e, não obstante o exagero, lá estava em pano de fundo o sabor a pudim.

 

Fiquei quase triste. Porque agora, perdi o registo que eluminava a memória doce, ficando no seu lugar a imagem de uma menina de totós. E é uma pena.

 

Adeus, meus queridos Pastéis de Belém.

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moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro