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Erva Daninha | 24.02.12

Em nome da ignorância

Child

 

Evitam uma e outra lei que permitisse que mais casais pudessem adotar crianças. Preferem que fiquem nos centros de acolhimento. E lá, têm um pai e uma mãe? Não. Mas estes senhores preferem que não tenham ninguém do que terem quem eles não entendem.

 

É chocante o grau de ignorância das pessoas que devem defender os nossos direitos. Conhecem uns maus exemplos e com isso julgam conhecê-los todos. Por certo não conhecerão famílias disfuncionais. Heterossexuais. Que a orientação não planta neurónios na moleirinha. Não os planta nem os arranca.

 

Uma criança pode ver os pais baterem-se até sangrar que isso não será tão forte como a "tradição" de entre marido e mulher ninguém meter a colher. Como se as família convencionais não abusassem física e psicologicamente das suas próprias crias. Como se com um pai e uma mãe houvesse mais diálogo. Como se chamar-lhes pais ou mães fosse realmente mais importante do que ser amado.

 

Há muitas pessoas desorientadas, burras, insensíveis, traumatizadas, desviadas, incapazes, irresponsáveis... E engravidam e estão ausentes e abandonam e maltratam, voltam a engravidar, às vezes a nem querer saber se engravidaram e basam e voltam a abusar. Até a matar. Porque está na natureza humana ser imperfeito. Na natureza das pessoas de todas as orientações sexuais.

 

Se o importante fosse a criança, consideravam todos os casais disponíveis, o que permitiria aumentar as possibilidades desta criança ter um lar. Tudo bem avaliado, evidentemente. Aliás, como acontece (espero) com as adoções permitidas. Mas não. O mais importante não é a criança. Importam os lobbys que bebem na religão a pseudo-redenção do seu fraco caráter.

 

Se o importante fossem de facto as crianças, não seriam apenas as adotadas a terem controlo sobre a parentalidade; não seriam gastas fortunas em terapias de procriação a casais que não tivessem passado no mesmo crivo de exigências que ocorre na adoção; e não se negligenciavam os casais convencionais sem condições físicas, psicológicas e morais, com filhos à sua guarda, tantas vezes sem guarda, sem rumo, sem afeto, sem orientação, sem nada. Podem dizer que têm um pai e uma mãe. E para estes senhores isso chega. Que de resto lavam as mãos nas faltas de meios sociais, de pessoal especializado, de verbas e do diabo que os levasse a todos.

 

Ainda ouvi de raspão um dos deputados a dizer que não "estamos disponíveis a experimentalismos". E a adoção por casais convencionais acaso não é experimental? Se não fosse não havia acompanhamento posterior. Ou quem disse isto mete as mãos no fogo pelo sucesso e felicidade de todas as crianças adotadas segundo os padrões que defende? Não mete.

 

Apartir daqui passar-se-ia para a questão de terem sido eleitos os que lá estão e que em democracia somos todos responsáveis e teca teca.

 

Mas acontece não nos serem dados a conhecer os candidatos e respetivos anexos. E depois admiram-se com as abstenções, os votos em branco e os boletins de voto ilustrados. Sem um perfil focado nos princípios dos candidatos, principais e anexos, não é possível votar em consciência nem falar-se em democracia.

 

Assim, fica o futuro destas nossas crinças hipotecado pela pequenez de quem vê o mundo com palas. Como os burros.

 

 

Post scriptum: Editei este texto e corrigi gralhas e calinadas que a rajada do desabafo não permitiu detectar. De resto continuamos híbridos em relação ao acordo ortográfico: esforçamo-nos por adotar umas partes, recusamos outras, misturamos outras tantas pelo meio. That's all good. 25-02-2012

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um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro