Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


A segurança alimentar anda na boca dos jornais a arder em várias frentes. Isto rebentou porque a ASAE, deixou de analisar alimentos há meses por falta de dinheiro. Como sempre, é o estado o grande devedor e, consequentemente, o grande causador da ruptura.

 

O Pingo Doce, por outro lado, vende carne de frango em más condições desde janeiro. Aqui "frango" e "janeiro" são apenas balizas da experiência que me leva a falar disto. Na loja e no Apoio ao Cliente, espantam-se que apenas eu me queixe. E eu também me espanto.

 

Depois de pesquisar e consultar pessoas sobre o assunto, concluo que a sensibilidade às bactérias varia. Em função do indivíduo e, cada um, também terá períodos de maior ou menor sensibilidade. Os temperos que se adicionam no início da confecção serão os responsáveis pela camuflagem do cheiro. E são precisamente as inúmeras variáveis que dificultam o apuramento das causas.

 

Mas eu estava doente da barriga e quis fazer uma canja. Depois de colocado o frango, mal a água levante frevura topa-se logo um cheiro que nada tem a ver com canja de galinha. Na dúvida, é tirar um pedaço para uma tijela, abrir-lhe um rombo até ao osso e cheirar.

 

Foi tudo imediatamente para uma caixa e entregue, ainda quente, na loja. Menos de uma hora depois de o ter comprado. As primeiras duas vezes foi frango embalado. Na última vez, do talho. O resultado foi igual. O laboratório confirmou condição bacteriana anormal em todas as amostras.

 

E lá vamos nós à segurança alimentar. Os senhores ligaram a dizer que de facto detetaram falhas nos procedimentos daquela loja, que  accionaram acções de sensibilização dos funcionários, e teca teca (teca teca até é um termo carinhoso, aqueles anormais fazem questão de ler um relatório escrito de duas páginas a4).

 

Até me pareceu bem. Humildes. Erraram, assumiram, corrigiram. Até aqui tudo bem. Mas afinal é tudo MAL, pois umas semanas depois da leitura do relatório aconteceu de novo. Há dias, em resposta à última queixa, com os habituais meses de atraso, tentaram impingir-me o novo relatório.

 

E que queriam garantir a confiança dos clientes, e que eu devia compreender que o frango é um produto alimentar muito sensível a alterações de temperatura, e que fizeram acções de sensibilização, e que... Interrompi, claro. Nem queria acreditar.

 

Agora é declarar a coisa resumidamente no livro vermelho para que a ASAE receba a cópia respectiva e actue. E lá voltamos à segurança alimentar com a ASAE a bater com a porta por falta de pagamento. Bonito serviço.

 

Os Pingos Doces da nossa triste realidade continuarão a estar isentos em tantas intoxicações alimentares e gastroenterites de pai incógnito. E continuarão a desmotivar-se na deslocação dos alimentos e continuarão a receber acções de sensibilização. Continuarão espantados por tão pouca gente topar e mais ainda por tão raro surgir queixa. E terão ainda mais lucro porque não há quem analise e detecte infracções. Muitos continuarão a atirar o frango directamente para o sal do churrasco ou para o refogado e desses alguns continuarão a sentir, a espaços, a barriga inchada, gases, diarreia ou obstipação, tudo sintomas altamente dignificantes e mínimos, que dispensam o trabalho de olhar certos descontos com outros olhos.

 

Quando mais é precisa a ASAE vai ao tapete. E não venham com cantigas de falta de dinheiro, que o estado português tem para dar e esbanjar.

Autoria e outros dados (tags, etc)


3 comentários

De Pedro a 01.08.2012 às 14:52

Sugestão: um post a explicar os passos que deste para dar um nome ao "pai" da gastro. Eu, pelo menos, não sabia que era possível devolver restos alimentares de maneira a serem submetidos a análises :-/

De Erva Daninha a 01.08.2012 às 15:39

Eu não disse que descobri o pai :-/
Mas que haverá muitas destes pais...

E não devolvi restos. Devolvi tudo. Como era canja, foi com a água e restantes ingredientes.

A lei prevê a devolução de qualquer artigo que não esteja em condições. Se só topas isso quando começas a cozinhar, então devolves o que estavas a cozinhar.

Coisas a assegurar:

Tempo de deslocação dos produtos entre a loja e o friigorífico/fogão. Se não se morar ao lado da loja, o melhor é utilizar um saco térmico.

O produto descoberto sem condições (cru, cozinhado ou a meio caminho) deve ser tratado como se tratando de comida boa. A saber: colocado em recipiente limpo e, atingida a temperatura ambiente, colocado no frigorífico bem tapado. Isto caso seja tarde demais para proceder à devolução de imediato.

Ao levar o produto à loja, este tem de ir acompanhado do ticket da compra. Eventualmente, terás uma prova de superação que passa por ouvires dizer que mais ninguém se queixou e responder a todas as questões sobre os tempos que demoraste a deslocar o produto. Ajuda voltar à loja com um talão registado menos de uma hora antes .-)

O dinheiro é devolvido, mas apenas o do produto estragado. Os ingredientes estragados por serem cozinhados conjuntamente ficam por nossa conta. Tristemente.

Do lado deles: nada. Nem um papel em como o produto foi entregue, em como o caso foi reportado. Nada.

Eventualmente, se providenciaste número de telefone, passam uns meses e és contactado pelo Serviço de Apoio ao Cliente a dar feedback.

Espero ter esclarecido :-)

De Pedro a 01.08.2012 às 16:26

Eu fiquei esclarecido :) é uma espécie de CSI alimentar, fascinante e útil.

Comentar post




moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro