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Erva Daninha | 11.08.12

10 anos

O tempo apazigua ou atiça, recorda ou liberta, conforme a toada dos dias. E seria tudo muito melancolicamente poético se a puta da saudade não fosse real e não nos entrasse literalmente pelas entranhas adentro.

Mountains in Central Portugal

Eras um pilar. A casa continua torta.

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cenas ao molho:

A segurança alimentar anda na boca dos jornais a arder em várias frentes. Isto rebentou porque a ASAE, deixou de analisar alimentos há meses por falta de dinheiro. Como sempre, é o estado o grande devedor e, consequentemente, o grande causador da ruptura.

 

O Pingo Doce, por outro lado, vende carne de frango em más condições desde janeiro. Aqui "frango" e "janeiro" são apenas balizas da experiência que me leva a falar disto. Na loja e no Apoio ao Cliente, espantam-se que apenas eu me queixe. E eu também me espanto.

 

Depois de pesquisar e consultar pessoas sobre o assunto, concluo que a sensibilidade às bactérias varia. Em função do indivíduo e, cada um, também terá períodos de maior ou menor sensibilidade. Os temperos que se adicionam no início da confecção serão os responsáveis pela camuflagem do cheiro. E são precisamente as inúmeras variáveis que dificultam o apuramento das causas.

 

Mas eu estava doente da barriga e quis fazer uma canja. Depois de colocado o frango, mal a água levante frevura topa-se logo um cheiro que nada tem a ver com canja de galinha. Na dúvida, é tirar um pedaço para uma tijela, abrir-lhe um rombo até ao osso e cheirar.

 

Foi tudo imediatamente para uma caixa e entregue, ainda quente, na loja. Menos de uma hora depois de o ter comprado. As primeiras duas vezes foi frango embalado. Na última vez, do talho. O resultado foi igual. O laboratório confirmou condição bacteriana anormal em todas as amostras.

 

E lá vamos nós à segurança alimentar. Os senhores ligaram a dizer que de facto detetaram falhas nos procedimentos daquela loja, que  accionaram acções de sensibilização dos funcionários, e teca teca (teca teca até é um termo carinhoso, aqueles anormais fazem questão de ler um relatório escrito de duas páginas a4).

 

Até me pareceu bem. Humildes. Erraram, assumiram, corrigiram. Até aqui tudo bem. Mas afinal é tudo MAL, pois umas semanas depois da leitura do relatório aconteceu de novo. Há dias, em resposta à última queixa, com os habituais meses de atraso, tentaram impingir-me o novo relatório.

 

E que queriam garantir a confiança dos clientes, e que eu devia compreender que o frango é um produto alimentar muito sensível a alterações de temperatura, e que fizeram acções de sensibilização, e que... Interrompi, claro. Nem queria acreditar.

 

Agora é declarar a coisa resumidamente no livro vermelho para que a ASAE receba a cópia respectiva e actue. E lá voltamos à segurança alimentar com a ASAE a bater com a porta por falta de pagamento. Bonito serviço.

 

Os Pingos Doces da nossa triste realidade continuarão a estar isentos em tantas intoxicações alimentares e gastroenterites de pai incógnito. E continuarão a desmotivar-se na deslocação dos alimentos e continuarão a receber acções de sensibilização. Continuarão espantados por tão pouca gente topar e mais ainda por tão raro surgir queixa. E terão ainda mais lucro porque não há quem analise e detecte infracções. Muitos continuarão a atirar o frango directamente para o sal do churrasco ou para o refogado e desses alguns continuarão a sentir, a espaços, a barriga inchada, gases, diarreia ou obstipação, tudo sintomas altamente dignificantes e mínimos, que dispensam o trabalho de olhar certos descontos com outros olhos.

 

Quando mais é precisa a ASAE vai ao tapete. E não venham com cantigas de falta de dinheiro, que o estado português tem para dar e esbanjar.

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Erva Daninha | 25.07.12

Memórias

Incríveis as viagens que podemos fazer numa única caixa com fotografias e correspondência que fazm que a mais louca e desconcertante história, que foi do amor ao desentendimento, se reescreva num ápice ante os nossos olhos.

 

Nos percursos acidentados, o contraste das memórias é gritante. Tantos sorrisos manchados por erros que os sucessivos pedidos de desculpa não conseguiam abraçar. Tantas imagens confusas, sobrepostas. Tanta coisa acumulada pela incredulidade.

 

O que mais se encaracola nas minhas raízes de tanto desentender é a guerra que as pessoas transportam e com a qual constroem as realidades que temem. Ou que procuram. E é sabido que se procuramos uma coisa específica, encontramo-la. Mesmo que não esteja lá.

 

Recordo um qualquer episódio de uma série em que alguém filmou pela janela duas pessoas enroladas. Quando a câmara estava do outro lado via-se uma pessoa sentada e outra de cócoras a mexer em algo no chão. Visto da janela só podiam estar a fazer sexo. E é apenas um caso em que uma imagem não vale palavra alguma.

 

Existe esta coisa que a psicologia explica melhor do que eu e que passa pela alteração do processo de análise quando se está focado, não no que se procura, mas no que se espera encontrar. Procurar implica estar aberto a descobrir algo desconhecido. Procurar determinada resposta implica acabar por vê-la em todo o lado. Um bocado como acontece com os "avistadores" de óvnis. Querem ver o óvni e vêem-no. Nem colocando a possibilidade de outra coisa qualquer inatingível daquele ponto de observação. Pior ainda é quando o vizinho, escondido atrás do muro, também afirma a pés juntos ter visto o óvni. E tantas imagens comprovam a observação do que se queria tanto observar...

 

Diz o povo "Ver para crer", e com essa ideia fica de fora a necessidade de contextualizar. E interpretar. Sem isto as sombras na parede são pessoas. Os vultos parecidos são outros. É verdade o que vai ao encontro do que se procura e mentira tudo o que deitar por terra as ilusões já transformadas em realidade, de tanta "matemática" a servir a vontade de encontrar determinada resposta. A coisa vai ao ponto de ver coisas em todo o lado, pela boca de toda a gente. Para ver é preciso abrir o entendimento. E tal não é possível se este estiver cheio do que se quer encontrar.

 

A dada altura entra-se num beco que parece não ter saída. As agressões em que se acredita crescem e com elas cresce o desejo de vingança. Porque a dada altura a vida é simplificada, quando todos os caminhos vão dar ao mesmo culpado. Ficaram simplificados todos os erros, todas as mentiras, todos os testes, todas as más escolhas, com o benefício de uma consciência liberta pela fantasia e provada pelas sombras. E se mais provas não existissem, há sempre os contactos do além que chegam nas madrugadas de desassossego e contam toda a verdade.

 

Felizmente temos o tempo. Às vezes a passo de caracol, outras a alta velocidade. Mas que às tantas nos dá a possibilidade de respirar fundo e condescender. Condescender na memória da desconfiança sem fundamento que pelo ciúme começou a roer a corda. Condescender na memória dos excessos, das injustiças, das acusações mirabolantes. Condescender na memória da perseguição irracional e invasiva.

 

Quando se consegue sentir condescendência na memória do passado, há a esperança de encontrar, na memória do futuro, apenas a história de amor, depurada de todos os conflitos. À memória virão apenas os sorrisos os abraços e os beijos. E o perfil desnudado no calor do areal.

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Erva Daninha | 24.02.12

Em nome da ignorância

Child

 

Evitam uma e outra lei que permitisse que mais casais pudessem adotar crianças. Preferem que fiquem nos centros de acolhimento. E lá, têm um pai e uma mãe? Não. Mas estes senhores preferem que não tenham ninguém do que terem quem eles não entendem.

 

É chocante o grau de ignorância das pessoas que devem defender os nossos direitos. Conhecem uns maus exemplos e com isso julgam conhecê-los todos. Por certo não conhecerão famílias disfuncionais. Heterossexuais. Que a orientação não planta neurónios na moleirinha. Não os planta nem os arranca.

 

Uma criança pode ver os pais baterem-se até sangrar que isso não será tão forte como a "tradição" de entre marido e mulher ninguém meter a colher. Como se as família convencionais não abusassem física e psicologicamente das suas próprias crias. Como se com um pai e uma mãe houvesse mais diálogo. Como se chamar-lhes pais ou mães fosse realmente mais importante do que ser amado.

 

Há muitas pessoas desorientadas, burras, insensíveis, traumatizadas, desviadas, incapazes, irresponsáveis... E engravidam e estão ausentes e abandonam e maltratam, voltam a engravidar, às vezes a nem querer saber se engravidaram e basam e voltam a abusar. Até a matar. Porque está na natureza humana ser imperfeito. Na natureza das pessoas de todas as orientações sexuais.

 

Se o importante fosse a criança, consideravam todos os casais disponíveis, o que permitiria aumentar as possibilidades desta criança ter um lar. Tudo bem avaliado, evidentemente. Aliás, como acontece (espero) com as adoções permitidas. Mas não. O mais importante não é a criança. Importam os lobbys que bebem na religão a pseudo-redenção do seu fraco caráter.

 

Se o importante fossem de facto as crianças, não seriam apenas as adotadas a terem controlo sobre a parentalidade; não seriam gastas fortunas em terapias de procriação a casais que não tivessem passado no mesmo crivo de exigências que ocorre na adoção; e não se negligenciavam os casais convencionais sem condições físicas, psicológicas e morais, com filhos à sua guarda, tantas vezes sem guarda, sem rumo, sem afeto, sem orientação, sem nada. Podem dizer que têm um pai e uma mãe. E para estes senhores isso chega. Que de resto lavam as mãos nas faltas de meios sociais, de pessoal especializado, de verbas e do diabo que os levasse a todos.

 

Ainda ouvi de raspão um dos deputados a dizer que não "estamos disponíveis a experimentalismos". E a adoção por casais convencionais acaso não é experimental? Se não fosse não havia acompanhamento posterior. Ou quem disse isto mete as mãos no fogo pelo sucesso e felicidade de todas as crianças adotadas segundo os padrões que defende? Não mete.

 

Apartir daqui passar-se-ia para a questão de terem sido eleitos os que lá estão e que em democracia somos todos responsáveis e teca teca.

 

Mas acontece não nos serem dados a conhecer os candidatos e respetivos anexos. E depois admiram-se com as abstenções, os votos em branco e os boletins de voto ilustrados. Sem um perfil focado nos princípios dos candidatos, principais e anexos, não é possível votar em consciência nem falar-se em democracia.

 

Assim, fica o futuro destas nossas crinças hipotecado pela pequenez de quem vê o mundo com palas. Como os burros.

 

 

Post scriptum: Editei este texto e corrigi gralhas e calinadas que a rajada do desabafo não permitiu detectar. De resto continuamos híbridos em relação ao acordo ortográfico: esforçamo-nos por adotar umas partes, recusamos outras, misturamos outras tantas pelo meio. That's all good. 25-02-2012

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Erva Daninha | 13.01.12

0 #pl118 visto da minha janela

De tanto ouvir falar na Senhora Canavilhas, foi com curiosidade que vi o vídeo que a Jonas publicou. Bailhamedeuge.

 

 

Não sabe respirar, não sabe pausar, não sabe colocar a voz e deve ter qualquer coisa a dar-lhe choques elétricos de tantos em tantos segundos para saber que tem de sorrir e mostrar firmeza com o olhar. Logicamente, disse coisas com jeito, porque, naturalmente dava jeito. Se não tivesse sido apenas por dar jeito, não se notaria tanto que a moça não tem jeitinho nenhum para o papel a que se prestou neste vídeo, já que até eu, com todas as minhas ramas folhas e raízes para gerir nas deslocações, teria revirado menos os olhos no curto período de tempo da gravação.

 

"O meu computador portátil custa 700 e tal euros, passará a custar mais 9 euros, portanto, vale a pena (riso)"

Portanto a senhora também é burra. Porque escolheu para exemplificar a coisa um computador e não um disco externo, por exemplo. E é burra porque não compreende que o menor impacto da taxa será exatamente nos "dispositivos multifunções", chamemos-lhes assim, onde o cálculo da dita recairá apenas sobre a fracção de armazenamento, sendo que o seu valor engloba muitas outras, evidentemente. Já um disco externo é todo ele armazenamento. E quem usa mais armazenamento são precisamente os criadores. Para além de ser burra, acredita que somos todos burros.

 

Queria falar sobre este dejeto de lei, perdão, projeto de lei, mas tropeçar neste vídeo deixou-me sem pinga de clorofila.

 

OBS: Para além do referido, se estou a par deste processo e do movimento que gira em torno dele, devo-o à Jonas. E ao Poingg. E ao Twitter. Os meios de comunicação social estão caladinhos porque grande parte dos portugueses (como a maior parte dos próprios jornalistas, ministros, deputados e ademais entidades envolvidas e por envolver) são infoexcluídos e não se interessam. E se o grande público não se interessa, a coisa não vende. E se não vende, não se noticia nem se debate publicamente.

 

Logicamente que bastava explicarem as coisas. Mas para isso era preciso que as soubessem. E não é o caso. Também podiam pedir ajuda a quem sabe, que, de borla, informava. Mas não, que isso já é dar muito trabalho.

 

Não é a primeira vez e não será a última que digo não compreender os humanos. Nem os que se comportam assim nem os que deixam.

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moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro