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Teresa Alves | 28.12.09

Cenas nem sempre óbvias

O futuro é mais importante do que o passado.

Às vezes perdemos demasiado tempo a analisar o passado. Queremos saber porquê e não saímos dali. Mas qualquer que seja a resposta, o caminho será o futuro, e este só acontece se nos focarmos nele. Enquanto a tentar compreender o passado, o presente estende-se, e o futuro nunca mais vem.

 

Um pai nunca morre.

Nem só as memórias prolongam uma pessoa. É o seu sangue nas nossas veias, o seu humor nas nossas surpresas e as suas lições no nosso carácter, o que lhe estende a existência. As saudades, em certos casos, não passam de uma ponta de egoísmo, um esgar da nossa própria carência, ainda que impressa na vontade simples de um abraço.

 

As pessoas não mudam.

As pessoas continuarão a perseguir o que escolheram perseguir, certo ou errado, que importa, se vale tudo para ter um caminho a seguir, ainda que em círculos, pois o movimento ilude a alma. Somos o que sonhamos e o que sentimos. Somos o sumo de muitos anos, a que só outro tanto tempo pode mudar o sabor, lentamente. As pessoas não mudam porque vivem tudo muito depressa.

 

A sanidade e a insanidade não se distinguem.

Desde que ficou claro ser o conceito de "normalidade" um camaleão que se adapta a cada cultura, bairro, grupo e até a cada pessoa, também a diferenciação entre o são e o louco se perdeu na multiplicidade de interpretações possíveis de um acto. No fundo, todos somos um pouco loucos, se originais nos nossos desígnios, não alinhando na carneirada social que leva os rebanhos bem comportados.

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cenas ao molho:



moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro