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Teresa Alves | 08.10.13

Não vá uma pessoa esquecer-se

Às vezes subimos a fasquia do investimento num trabalho porque gostar que corra bem tem destas coisas.

Depois ainda somos atropelados de configurações corruptas, internet a conta gotas e uma sinusite de estimação a miar.

Até ao momento em que pára tudo. Pára o relógio e fica um burburinho de árvores aos gritos, Não vá uma pessoa esquecer-se de viver...

E amanhã voltamos a subir a fasquia do investimento num projecto cheio de vontade de ser. E voltamos a apagar incêndios disruptivos. Voltamos aos atropelos tecnológicos e às mazelas de estimação.

Amanhã voltamos.

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Erva Daninha | 10.10.09

Chove lá fora

Depois de um dia longo de corridas e descobertas, ouvir as gotas da chuva a tilintar no beiral metálico da varanda, pode muito bem ser a mais incrível demonstração de Jazz pela própria natureza. Se os sentidos entrarem na sua melodia, pode uma pessoa deixar-se ir, perceber nuances de outros grupos de outras gotas, e de levadas de água, com um som específico para algerozes e sarjetas, ao perto e mais longe, agudos e graves. Diferentes intensidades com diferentes cores, ou não gritassem ao longe os trovões, como quem avisa que há muito por dizer.

 

Chove lá fora e sabe bem porque estamos cá dentro. Porque teremos o embalo materno de uma das primeiras noites encontradas a comemorar a saída de cena do Verão, numa melodia que dilui os habituais gemidos da cidade sonâmbula e nos permite, simplesmente, apagar.

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Teresa Alves | 24.11.08

Cansaço

Quando se trabalha demais durante tempo de mais, ficam para trás exercícios que, fazendo parte do próprio, correspondem a fragmentos que se soltam do corpo. Estou nas lonas e o blog está às moscas. Lindo serviço.

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Gato Vadio | 14.06.08

Momentos

Num qualquer instante pára o relógio das aflições e o tempo fica suspenso sobre a cidade. Uns quantos, muitos, gritam pelo portugal do futebol pelas janelas dos carros em algazarra, outros deixam-se grelhar ao sol, e os outros, que ainda há dias se queixavam que o Verão nunca mais chegava, agora queixam-se que nunca mais vai embora. Apetece fugir.

Longínquos são todos os sonhos que a persistência ganhou ao jogo, só porque os pensamentos se colam às pontas dos dedos não sabendo, sequer, dizer amanhã.

Da janela das traseiras espreita um dia novo, desde o laranja do fogo que escurece a fachada dos prédios em contra-luz ao azul que a noite vendeu ao cansaço.

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Gato Vadio | 10.05.07

Adamastor

adamastor.png

As águas agitadas balançam o barquinho de papel que transporta a alma pela vida, como se o mundo fosse um alguidar, e mesmo assim se pudesse encontrar nele um gigante.
 
Não há sabedoria que detenha um corpo cansado de tanto tempo a firmar a vela, e, ainda antes do desespero, sentir a culpa certeira, apenas por não acreditar resistir à próxima vaga.
 
Pode sempre acontecer, num ímpeto em jeito de Bartolomeu Dias, a descoberta de que o medo pode desatar aos gritos na hora da decisão, Alguém viu a coragem.
 
Tenta depois de uma boa noite de descanso, Boa noite Adamastor.

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moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro