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Gato Vadio | 04.01.11

Fridged

Fridged.PedroMatosSoares.jpg

A fantástica sala do Gabinete de Comunicação e Imagem do Museu da Politécnica não chegou para inspirar o responsável pela disposição das fotografias na sala. A "dialéctica humano-frigorífico" perdeu-se nas equidistâncias entre uns e outros, fotografias e conjuntos. O folheto de apresentação tinha duas páginas de letra miudinha, logo não foi lida pela esmagadora maioria. E as dúvidas começam logo aqui. Para cerca de dez ou doze fotografias (a formar cerca de metade desse número dos tais grupos de "dialéctica") são precisas duas folhas A4? E quem arriscasse começar a ler percebia ser uma justificação, mais do que uma apresentação ou contextualização..

 

Fiquei sem saber se a exposição pretendia trazer público à banda de jazz ou se eram estes que actuavam para ajudar a exposição. Sobre a banda, nada em lugar nenhum. E ao terceiro tema fomos embora. Os músicos pareciam ter ido contrariados, não comunicavam nada e os temas igualmente fragmentados de um caos não reflectido na semblante dos músicos que, ficavam todos ouvidos ao fim do primeiro. Foi na quarta-feira, dia da inauguração, pelo que não sei como será nos outros dias.

 

Há por aí muito boas ideias que poderiam constituir projectos bem comunicados e resultar em brutais experiências humanas. Mas vira o disco e toca o mesmo. E a palavra "exposição" já se diluiu no lugar comum de paredes com coisas penduradas, quase sempre mal iluminadas e no caso dos museus, também mal contextualizadas. E é uma pena.

 

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Teresa Alves | 08.10.10

Jazz

Chove. Cai um pano de fundo irregular, ritmado, quase dançável. São as gotas contra a vidraça e contra o corrimão de metal oco do varandim. Jazz.

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cenas ao molho:


Erva Daninha | 10.10.09

Chove lá fora

Depois de um dia longo de corridas e descobertas, ouvir as gotas da chuva a tilintar no beiral metálico da varanda, pode muito bem ser a mais incrível demonstração de Jazz pela própria natureza. Se os sentidos entrarem na sua melodia, pode uma pessoa deixar-se ir, perceber nuances de outros grupos de outras gotas, e de levadas de água, com um som específico para algerozes e sarjetas, ao perto e mais longe, agudos e graves. Diferentes intensidades com diferentes cores, ou não gritassem ao longe os trovões, como quem avisa que há muito por dizer.

 

Chove lá fora e sabe bem porque estamos cá dentro. Porque teremos o embalo materno de uma das primeiras noites encontradas a comemorar a saída de cena do Verão, numa melodia que dilui os habituais gemidos da cidade sonâmbula e nos permite, simplesmente, apagar.

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cenas ao molho:



moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro