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Erva Daninha | 13.12.11

A crise também se abate?

Plant Placemat

Faço alarido de ser erva daninha feliz com os ares que habita, seja pela brisa ou pelos beijos de sol desafogado. No entanto caio recorrentemente no erro de ligar a televisão e espreitar os jornais do horário nobre (principalmente se andar febril com alguma maleita da época). Fica-se mais ou menos na mesma em termos informativos. Em termos de saúde, fica-se ainda mais encaracolado.

 

111/365: Late Night TV Time

 

No jornal da tvi falavam da passagem dos fundos de pensão para o estado.  Dizia o especialista fiscal (ou lá como escreveram na legenda desfocada) que tendo sido do interesse do estado que essa troca se tinha dado, não havia motivo para prejudicar os bancos. Sinceramente? Não sei como é que os humanos aguentam isto. Então as pessoas, no interesse do estado e que devia ser o seu próprio mas nem por isso, têm de se sacrificar, ou melhor dizendo, há razões para as prejudicar, mas os bancos, maioritariamente responsáveis pela espiral de capitais imaginários que nos trouxe a economia a este aperto, não há motivo para os prejudicar. Nos próximos vinte anos, dizem ainda, pagarão menos impostos (ainda menos!) para que assim seja. E as pessoas, pá, as pessoas, os velhos, os putos, os estudantes e os que não conseguem pagar os estudos, essas pessoas, também vão ser recompensadas a dada altura?

 

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Saltei e aterrei no jornal da sic onde se falava da juíza do Face Oculta, do fato de esta se encontrar doente (ou não) mas consequentemente ausente do julgamento há 3 semanas, tendo o mesmo sido interrompido por isso. Dizem que se a interrupção chegar aos 30 dias perdem validade as provas produzidas em tribunal. E as minhas folhas voltam a encaracolar-se de incredulidade, ainda que ingénua e tola, já que este processo é apenas uma variação tuga do de Kafka, repetida vezes sem conta nos mais variados casos.

 

Quantos mais casos, quantos mais processos arrastados pela ladeira da impunidade por "mãozinhas cautelosas" e outras pragas, irão desfilar ante o cansaço do (des)entendimento?

 

Art is the concrete representation of our most subtle feelings.

 

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Teresa Alves | 20.01.10

Haiti

Ficar doente tem destas merdas. Um gajo a dada altura atira-se para o sofá de telejornal em curso sem qualquer noção de há quanto tempo isto não acontecia e leva pelas trombas com os cenários humanos mais incríveis de sofrimento e abandono.

 

Pelas redundâncias e repetições, percebem-se as linhas a partir das quais a informação é tratada como numa série de investigação criminal que cada canal dirige de acordo com a sua sensibilidade.

 

É precisamente na linha em que deixa de ser informação e passa a ser circo que os meios de comunicação deviam ter a consciência social de resguardar um pouco a dignidade das comunidades retratadas em condições extremas de fragilidade.

 

Como é que se sentiriam se tivessem câmaras constantemente a filmar a vossa miséria. Como poderá haver auto-estima sem os cuidados básicos e como é que se aguenta tanta dor e por que raio está toda a gente a olhar..

 

Sou daquelas pessoas que passa semanas sem lhe ocorrer, sequer, que existe televisão. De cada vez que a ligo vejo-a tão mal aproveitada enquanto meio de comunicação de massas por excelência, que a desligo desanimada.

 

Será que não há ninguém com miolos realistas e sem mais olhos do que barriga, que agarre num jornal televisivo e o profissionalize?

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cenas ao molho:



moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro