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Erva Daninha | 11.08.12

10 anos

O tempo apazigua ou atiça, recorda ou liberta, conforme a toada dos dias. E seria tudo muito melancolicamente poético se a puta da saudade não fosse real e não nos entrasse literalmente pelas entranhas adentro.

Mountains in Central Portugal

Eras um pilar. A casa continua torta.

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Teresa Alves | 28.12.09

Cenas nem sempre óbvias

O futuro é mais importante do que o passado.

Às vezes perdemos demasiado tempo a analisar o passado. Queremos saber porquê e não saímos dali. Mas qualquer que seja a resposta, o caminho será o futuro, e este só acontece se nos focarmos nele. Enquanto a tentar compreender o passado, o presente estende-se, e o futuro nunca mais vem.

 

Um pai nunca morre.

Nem só as memórias prolongam uma pessoa. É o seu sangue nas nossas veias, o seu humor nas nossas surpresas e as suas lições no nosso carácter, o que lhe estende a existência. As saudades, em certos casos, não passam de uma ponta de egoísmo, um esgar da nossa própria carência, ainda que impressa na vontade simples de um abraço.

 

As pessoas não mudam.

As pessoas continuarão a perseguir o que escolheram perseguir, certo ou errado, que importa, se vale tudo para ter um caminho a seguir, ainda que em círculos, pois o movimento ilude a alma. Somos o que sonhamos e o que sentimos. Somos o sumo de muitos anos, a que só outro tanto tempo pode mudar o sabor, lentamente. As pessoas não mudam porque vivem tudo muito depressa.

 

A sanidade e a insanidade não se distinguem.

Desde que ficou claro ser o conceito de "normalidade" um camaleão que se adapta a cada cultura, bairro, grupo e até a cada pessoa, também a diferenciação entre o são e o louco se perdeu na multiplicidade de interpretações possíveis de um acto. No fundo, todos somos um pouco loucos, se originais nos nossos desígnios, não alinhando na carneirada social que leva os rebanhos bem comportados.

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Teresa Alves | 16.12.09

O fim do dia

Continuo a surpreender-me com o teu rosto fugidio por entre as correrias do trânsito. A mesma testa franzida, o mesmo esgar de pressa, os cabelos grisalhos e desalinhados, o nariz, O relance, o susto, o coração a mil. Como é possível o engano. Não te tivesse visto descer pela terra a dentro e talvez nem acreditasse. Leva-se um soco no estômago e fica-se vazio.

 

Quando um dia adormece nos braços de uma noite incerta e a madrugada ainda procura o seu lugar na plateia, pode acontecer o luxo de água potável aquecida até aos ossos e sumirem-se no ralo as perguntas que teimam sempre em agarrar-se à memória.

 

Porquê, se eu só queria voltar a abraçar-te.

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moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro