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Erva Daninha | 16.01.10

(des)sintonia

oooooooooooooooooooo

Está tudo lá, pensam, sem que uma gota de dúvida se afirme que devolvesse a outra face, o outro lado da moeda.

Os olhos não mentem, dizem, mas ignoram os fenómenos químicos que (também) constroem imagens no entendimento. Os sonhos e os pesadelos.

Às vezes pensam estar certos na observação que fazem dos outros e nas conclusões que tecem à sua personalidade e à sua atitude.O mundo inteiro gira ao ritmo dos desentendimentos. E todos os desentendimentos são provocados por falhas de comunicação.

Comunicação em diálogo: Mensagem, emissor, receptor, meio de transmissão, codificação, encriptação, tradução, registo, contexto.

Estes são os pontos em que tem de haver alguma sintonia, ou haverá apenas um ou dois monólogos mais ou menos castradores.

oooooooooooooooooooooooooooooo

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Erva Daninha | 07.11.09

Pressa de acabar

De uma maneira geral, as pessoas andam sempre cheias de pressa de chegar aonde possam estagnar. Até lá, tendem a entornar-se em todos os contextos correndo o risco de serem engolidas pelos próprios reflexos.. o que é contraditório e estúpido.

 

Carpe diem não pode ser utilizado continuamente para desculpar a falta de leme e de empreendimento, sob pena de arriscar seguirapenas a direcção do vento e construir tudo em cima de areia..

 

Fica apenas a quase silenciosa melodia que a lua cheia deixou na memória. Como nas colheitas dos frutos que talvez melhores com mais tempo na mãe. Silêncio.

 

O tempo acabou.

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cenas ao molho:


Erva Daninha | 08.03.09

Luto

Tantas são as palavras que o silêncio tem semeado na ausência que a mudança pariu a caminho de casa. Fica a barriga cheia de uma sopa de letras engolidas no campo de concentração dos esforços de lucidez. É certo que se cospem sempre alguns pontos de exclamação. Melhor seria se se vomitassem os de interrogação. Mas nem uns nem outros apaziguam a indigestão crónica dos sapos engolidos no nevoeiro de uma guerra quase fria. Letras soltas, eventualmente recuperadas, podem sempre juntar-se para novas palavras. Enterrem-se os restos, cadáveres do (des)entendimento. Faça-se luto, que amanhã o dia será novo.

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Erva Daninha | 07.02.09

Murmúrio

o murmúrio da cidade


escorre por uma certa indiferença


indo esmagar-se na repetição infinita


de um  momento de paz

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cenas ao molho:



moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro