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Teresa Alves | 08.10.13

Não vá uma pessoa esquecer-se

Às vezes subimos a fasquia do investimento num trabalho porque gostar que corra bem tem destas coisas.

Depois ainda somos atropelados de configurações corruptas, internet a conta gotas e uma sinusite de estimação a miar.

Até ao momento em que pára tudo. Pára o relógio e fica um burburinho de árvores aos gritos, Não vá uma pessoa esquecer-se de viver...

E amanhã voltamos a subir a fasquia do investimento num projecto cheio de vontade de ser. E voltamos a apagar incêndios disruptivos. Voltamos aos atropelos tecnológicos e às mazelas de estimação.

Amanhã voltamos.

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Teresa Alves | 01.08.13

Beber para produzir!?

Será que todos aqueles que considerem o seu trabalho desagradável, devem começar a fazê-lo alcoolizados para "esquecer as agruras da vida"?
(imagem de kegworks.com)

“Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos”

in Público, ver artigo completo.

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Teresa Alves | 31.03.12

Digestão

Num contexto pessoal ou social é relativamente fácil decidir as pessoas de quem nos fazemos acompanhar (desde que não ande um stalker a inventar, claro). Já num contexto profissional estão reunidas as condições para observar repetidas vezes a facilidade com que o alpinismo hierárquico é utilizado como tentativa de manipulação e subversão da realidade das coisas. E é impressionante observar o encadear estonteante de desrespeito pelos outros. Pela pessoa, pelo trabalho e pela inteligência dos outros.

 

Não consigo caracterizar o que sinto em relação às pessoas que se escondem atrás de uma máscara precária de princípios. Porque embora as máscaras façam parte da própria comunicação humana, utilizá-las convencido de ser-se melhor do que os outros com elas, é o mesmo que admitir ser pior sem elas.

Faltam-me palavras domesticadas que consigam exorcizar a frustração sem entrar em novelas desnecessárias. Palavras que descrevessem graciosamente as horas que esticaram dias e fins de semana no remendo constante de um projeto que começou já descaracterizado. Palavras que me permitissem falar de um fundamentalismo mascarado que não entende as fronteiras naturais do respeito humano.

 

Mas uma vez que não encontro tais palavras e me parece ter gasto todo o vocabulario educado de que disponho no momento, caralhinho!

 

Que se fodam as pessoas que fodem os outros. Que se fodam as infelicidades crónicas que não deixam ficar em casa. Que se fodam as carinhas de anjo que se metamorfeiam nos cantos obscuros. E que se foda que nos queiram foder a nós.

 

Como em todos os dissabores e confrontos, mesmo nos mais empobrecedores, algumas horas de nojo chegarão para digerir a coisa, ainda que o cansaço acumulado as tenha esticado mais do que esperado. Para além disso, amanhã não será preciso regar as plantas da varanda.

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cenas ao molho:



moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro