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Pode um gato armar-se aos cucos e desafiar céu e inferno no mesmo mergulho? Pois pode.

 

Não fosse a cagufa que me tolhe o esqueleto vadio e um dia destes ia voar com os pássaros...

 

Não voando no céu pode sempre voar-se no chão. E é pelo chão ladeado de verde e rio que agora me perco de voos rasantes.

 

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cenas ao molho:


Gato Vadio | 14.11.08

Balão de ar quente

Há uns anos, vivi durante alguns meses em Northampton. Pouco tempo, pois não gostei da cidade, o que acabou por definir a decisão de voltar a Portugal. E voltei. Foi em Julho e o Hot Air Ballon Festival seria a 18 de Agosto. "Too late".

 

Ficou sempre uma certa sensação de perda, depois transformada em desejo: "Um dia vou fazer a loucura de andar de balão". Note-se que "a loucura" se deveu sempre ao custo que envolve, que para mim é elevado. No outro dia tropecei numas fotos de balões de ar quente. Em Portugal. Com o Sapo! Olhei de soslaio meia dúzia de imagens e fechei a janela. Acredito na lucidez de nos abstermos dos teasers de coisas que planeamos para mais tarde. Manias.

 

"E se a tua prenda de aniversário fosse uma viagem num balão de ar quente?" Para o comum dos mortais, como eu, esta pergunta, vinda assim do nada e a troco de nada, e ainda por cima com um sorriso, não é de fácil digestão. Fica-se parado. Aparvalhado. Mesmo que tenha de se sair de Lisboa às 4 da manhã para estar lá às 7:00. Porque nesse estado, um gajo não consegue dormir. Fica com aquele sorriso parvo nos lábios "Ah... Amanhã vou andar de balão. Este é o melhor aniversário de sempre." E ainda a procissão ia no adro...

 

 

Foi uma experiência incrível! (clicar nas imagens para maior formato)

 

Retirar o balão dum saco próprio,

 desenrolá-lo,

 

segurar a boca para uma ventoinha enorme o ir enchendo.

 

A dimensão é brutal. 

 

Quando entramos dentro do cesto e percebemos a sua robustez, há qualquer coisa que nos transmite segurança. O balão não é de plástico (como algumas pessoas, infelizmente, pensam) mas de uma lona comprovadamente resistente e presa com cabos de aço. Os balões comunicam entre si e com a organização do evento por uma espécie de walkie talkies. E vão-nos respondendo às perguntas.

 

- Porque estamos a descer?

 

- Para apanhar uma brisa que nos leve a fotografar aquele lago. - disse em inglês de Inglaterra, apontando para a sua direita.

 

Ficam algumas imagens, porque dizem quase tudo.

 

Quando já não dá para mudar de ideias...

 

O coração acelera com o afastamento do chão...

 

As coisas assumem outra dimensão...

 

 

 

Ah... 

 

Reenquadramento...

 

Retiro...

 

Caminhos...

 

Palavras?...

 

Quais palavras?

 

 

 

Seguidos pelo nosso apoio terrestre...

 

 

 

Isto não são formigas...

 

Pois não?...

 

 

 

 

Fica-se cheio. Há um silêncio qualquer, pacífico, que nos enche o peito. Um dia vou voltar a andar de balão...

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moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro